16 de fev. de 2012

O que dá sentido à vida

(Cora Coralina)

Não sei se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.

Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja curta,
Nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura.
Enquanto durar.

14 de out. de 2011

Agradar 1

Se não posso agradar a todos, já fico muito feliz em agradar os que ME importam e os que SE importam!!! Bem, os outros são só os outros...
Rosane Liporace


1 de set. de 2011

Poder


Algumas pessoas acham que arrogância impõe poder. Isto é totalmente contestável. O poder legítimo é conquistado através do caráter e respeito de um Líder.

9 de jul. de 2011

Esta frase é dedicada aos meu amigos queridos que eu AMO muito:

"Onde quer que nos encontremos, são os nossos amigos que constituem o nosso mundo."
(William James)


6 de jul. de 2011

Palavras

O importante não são as palavras, mas sim a energia que é transmitida através delas. Essa energia é que produz o bem ou o mal.

14 de jun. de 2011

Fotos

Perguntaram qual era a minha foto preferida. Como assim? Impossível escolher só uma  foto, considerando que as fotos representam momentos especiais da nossa trajetória de vida. Eu não tenho um momento preferido, pois ao longo desses quarenta e cinco anos aconteceram tantas coisas importantes, marcantes e especiais que não dá nem para explicar.
Não sei se vocês concordam comigo, mas as fotos também representam momentos tristes. Claro que ninguém tira fotos quando esta deprimido, angustiado ou com algum outro sentimento ruim. Esses momentos nós queremos esquecer o mais rápido possível e de preferência nunca mais senti-los (ah doce ilusão...).
O que eu quero dizer é que em algumas fotos, apesar de o momento ser de festa, celebração ou alegria, a gente consegue identificar uma certa tristeza em um olhar, um certo ar de preocupação e uma postura de desânimo... É aquele sentimento que muitas vezes escondemos lá no fundo da nossa alma e tentamos nos enganar fingindo que está tudo muito bem. A foto pode enganar aos outros, mas não consegue enganar a nós mesmos.
Eu tenho fotos assim... Agora depois de muito tempo, já passado o sentimento ruim da época, eu consigo claramente identificar na minha expressão a tristeza que me consumia. Para qualquer outra pessoa eu estou feliz, brindando, dançando. Porém EU sei que por dentro eu estava chorando... Um choro manso, mas contínuo e que abriu algumas feridas no meu coração que, diga-se de passagem, estão curadas e com as cicatrizes bem sequinhas.
Bom, o motivo deste texto não é falar de tristeza, e sim de momentos felizes, emocionantes e inesquecíveis que foram traduzidos em imagens. Aquelas imagens que, toda vez que olhamos, sorrimos sem sentir e somos tomados por um sentimento de felicidade misturado com saudade.
Graças a Deus, para mim são muitos momentos assim!!! Então eu decidi eleger o primeiro momento desse tipo que viesse na minha cabeça. E a imagem que veio foi do Lago Moraine, no Parque Nacional de Banff,  na minha viagem ao Canadá em 2008 (ai, ai...).
Nessa viagem eu vi e tirei fotos de vários lugares maravilhosos, porém a foto desse lago conseguiu sintetizar com uma fidelidade impressionante o meu estado de espírito durante toda a  viagem.
Eu realmente não sei como, mas consegui captar um raio de sol refletindo na superfície do lago, que era de uma transparência absurda, a ponto de conseguirmos ver até o fundo, que era formado de pedras.
Você deve estar se perguntando o que essa imagem tem a ver comigo? Naquela viagem, TUDO!
É louco, mas me vi nesse lago... Eu estava sentindo uma paz interior, uma serenidade que eu nunca tinha experimentado antes. Esse sentimento me deixava refletir uma luz, um brilho que vinha de dentro de mim e que, através da minha fé, me fazia  conectar-me com Deus e consequentemente comigo mesma. Dessa forma eu transmitia toda a gratidão pelo merecimento de estar ali. As pedras no fundo do lago me fazem lembrar que, apesar do momento maravilhoso, os fantasmas, os problemas e aquele "lado negro" que todos nós temos continuavam a existir, porém estavam imobilizados e sem significado diante desse sentimento maravilhoso, que era maior do que tudo e todos. Eles estavam presos no "fundo" de mim...
A verdade é que eu estava em estado de graça e sentia a presença de Deus dentro e fora do meu ser.
Geralmente no dia a dia acontece exatamente o oposto: por causa dos milhares de problemas, tristezas e frustrações, nós paralisamos esse sentimento maravilhoso no fundo da nossa alma, a nossa superfície fica opaca, agitada e turva. O grande desafio é tentar libertar o "Lago Moraine" que, tenho certeza, existe dentro de cada um.


Rosane Liporace
14/06/2011

17 de mai. de 2011

Quando Deus aparece (Martha Medeiros)


Tenho amigas de fé. Muitas. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um email poético, dia desses. Ela comentava, em detalhes, sobre o recital a que ela assistiu do pianista Nelson Freire, recentemente. Tomada pela comoção durante o espetáculo, ela finalizou o email assim: "Nessas horas Deus aparece."

Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. De fato, Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer para a gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística - não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.

Quando Deus aparece para você?
Para mim, ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson Freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.

Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.

Deus me aparece - muito! - quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele. A gente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.

Deus me aparece - e não considere isso uma heresia - na hora do sexo, desde que feito com quem se ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.

Neste exato instante em que escrevo, estou escutando "My sweet Lord" cantada não pelo George Harrison (que Deus o tenha), mas por Billy Preston (que Deus o tenha, também) e posso assegurar: a letra é um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock'roll. Aleluia.

Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.

E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo.

==================================================================

Esse texto é de Martha Medeiros e  foi publicado na Revista de Domingo, do Jornal O Globo, em 24/08/2008.
Esse texto é um dos meus textos favoritos e me comovi muito quando li pela primeira vez!!!

Leite Derramado

Cansei de pensar no leite derramado... Vou sair para viver!!! Rosane Liporace